amanhã, segunda-feira, dia 27 de janeiro,
às 20:00 hs,
na paróquia SÃO JOÃO BATISTA (Av. Portugal, 2120 - Ribeirão Preto-SP)
tema: JUVENTUDE e INTERNET
minha palestra fará parte das atividades da recém-criada PASTORAL FÉ E POLÍTICA na paróquia.
todo mundo convidado...
domingo, 26 de janeiro de 2014
terça-feira, 19 de novembro de 2013
CONSCIÊNCIA NEGRA... E MUSICAL
Certa vez ouvi
uma lenda que dizia mais ou menos assim: nos tempos da dominação europeia sobre
os continentes americanos, após uma batalha onde uma tribo indígena tinha sido
dizimada, um jovem índio sobrevivente correu até outro sobrevivente, este bem
mais velho, e implorou com revolta: “vamos nos vingar, vamos nos vingar desses
europeus”. Mas o velho índio, que vinha observando de longe os costumes dos
dominadores, e percebendo que eles andavam experimentando alguns hábitos dos
próprios índios, respondeu: “não se preocupe, filho, nossa vingança já foi
consumada, sem que os europeus percebessem”
Segundo o
contador da lenda, o velho índio estava se referindo ao hábito de fumar, que
para as tribos tinha uma função ritualística, mas que para o homem branco viria
a se tornar um hábito mortal.
Assim como o
velho e sábio índio da lenda previa, pode-se dizer que o Ocidente todo se
tornou, não vítima mortal, mas refém da sedutora música negra, cujas matrizes vieram
nas mentes dos escravos africanos, nos
navios negreiros. Eis a vingança do negro escravizado!... Que atire a primeira
pedra quem nunca cambaleou diante de uma canção de Blues, sem imaginar a cena
de escravos negros cantando tristemente em meio às plantações do sul dos EUA...
Ou quem nunca parou para acompanhar um improviso de Jazz... Ou quem nunca cantou
junto com um roqueiro branco tentando imitar a voz rouca do negro... Ou quem nunca ameaçou fazer uns passinhos de
samba com aquela mesma entrega e leveza do corpo negro dançante... Ou quem
nunca se tornou fã de pelo menos um nome da nossa Bossa Nova...
A música
originária dos ritmos trazidos pelos escravos negros contagiou a música do
Ocidente de tal forma que não houve sequer um grande ídolo da nossa Música que não teve que beber da fonte
africana. Todos os deuses da Indústria fonográfica se
curvaram à música negra.
Indústria e
tradição... Tudo bem, há séculos a
Indústria dá o tom da conversa... mas a emoção não pode ser medida pela indústria,
por mais que ela tente. Há algo de fugidio naqueles corredores das plantações
do Mississipi... Há algo de enigmático nas frases de um jamaicano que olha as
ondas do mar... Há muito mais entre a silhueta da garota de Ipanema e o
movimento do barquinho a deslizar do que sonha nossa vã filosofia...
terça-feira, 1 de outubro de 2013
COMO ESCREVER UM ROMANCE
Não existe fórmula. Depois de ler muitos
romances, elencados como os maiores da literatura universal, a gente só tem que
perceber o que faz deles tão bons.
Normalmente você vai encontrar exigências como, por exemplo, a
singeleza, a captura da linha narrativa, o recorte do tempo e do espaço em que
se passa a história, a discrição do discurso, ou a argumentação no caso do
romance de ideias... tem também a linguagem, a sintaxe do autor... Bom, ao longo
dos anos, esses são alguns pontos que tenho valorizado.
Não existe receita. Às vezes você sai de casa
para ir à padaria e no meio do caminho uma cena qualquer faz brotar um pensamento
na sua mente. Esse pensamento corre o risco de se conjugar com outras ideias
que você traz e o resultado pode ser o desencadeamento de uma nova coisa que
fica ali, batendo na sua cabeça até você parar e contemplar tudo, sem pressa. Dependendo
da intensidade de emoção (ou ebulição), pode ocorrer de você ter sonhos
estranhos à noite. Então você acordará e passará o dia todo com a sensação de
que, se colocar algumas coisinhas num papel, vai se sentir melhor. É aí que
você morde a isca jogada pelo Romance.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Ressaca pós escrita
Um período de insônia, um período de queda premeditada, um infinito em queda livre... Assim eu poderia, muito superficialmente, descrever como foi escrever FÓRUM VIRTUAL, minha primeira experiência baseada em fatos reais... história real e trágica... Foi como encarar de frente os meus distúrbios mais imprevisíveis. O ser humano é inatingível quando o escritor se atreve a falar do seu suicídio. Assim foi que meu protagonista manteve-se, da primeira à última linha do livro, absolutamente inatingível. Não programei esse feito, ele aconteceu naturalmente durante o processo da escrita. O protagonista está ali o tempo todo, exposto de todos os ângulos, mas o leitor não o alcança, assim como as dezenas de personagens a quem o caso é apresentado. Cheguei ao fim da narrativa com a mesma certeza do início: todo aquele universo, que remete à perplexidade, ao desespero, ao caos, fora criado para ser observado apenas através de uma tela de computador. Acho que meu livro conseguiu respeitar essa lei.
terça-feira, 9 de julho de 2013
CINCO MINUTOS
De 06 a 16 de junho aconteceu a 13a. Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
No estande de Autores Locais e Regionais foi criado um espaço para apresentações, palestras ou qualquer coisa que escritores locais quisessem fazer. Então me veio a ideia de realizar uma performance com base no meu livro ATO PENITENCIAL, que faz referência ao mito de Fausto. Como na Feira desta edição o país homenageado era a Alemanha eu vi a oportunidade de inventar alguma coisa sobre o ATO e sobre Fausto (de origem alemã). Minha apresentação foi marcada para 15/06.
Bom, criei uma personagem, imaginei um figurino e fui procurar algo parecido nas lojas; enquanto isso, escrevi o texto e ensaiei. Pelos cálculos a performance não duraria mais do que 5 minutos. (era o máximo que suportaria como centro das atenções, já que não sou atriz e tenho fobia de falar em público, mesmo estando entre amigos).
Foi por causa de um personagem que existiria por apenas 5 minutos, que eu me sujeitei a perder 10 quilos. Comecei uma dieta no início de junho na vã esperança de perder todos esses quilos em poucos dias. Claro que não deu certo... mesmo eu publicando a dieta diária aqui no blog, como forma de me sentir vigiada...
De qualquer forma, realizei a apresentação. Não saiu nada, nada igual ao que eu havia ensaiado (sozinha). Mesmo que eu estivesse super magra e esbelta, o showzinho não valeria a pena.
Mas fiquei contente comigo, por vencer fobias, por deixar a literatura falar mais alto do que tudo.
No estande de Autores Locais e Regionais foi criado um espaço para apresentações, palestras ou qualquer coisa que escritores locais quisessem fazer. Então me veio a ideia de realizar uma performance com base no meu livro ATO PENITENCIAL, que faz referência ao mito de Fausto. Como na Feira desta edição o país homenageado era a Alemanha eu vi a oportunidade de inventar alguma coisa sobre o ATO e sobre Fausto (de origem alemã). Minha apresentação foi marcada para 15/06.
Bom, criei uma personagem, imaginei um figurino e fui procurar algo parecido nas lojas; enquanto isso, escrevi o texto e ensaiei. Pelos cálculos a performance não duraria mais do que 5 minutos. (era o máximo que suportaria como centro das atenções, já que não sou atriz e tenho fobia de falar em público, mesmo estando entre amigos).
Foi por causa de um personagem que existiria por apenas 5 minutos, que eu me sujeitei a perder 10 quilos. Comecei uma dieta no início de junho na vã esperança de perder todos esses quilos em poucos dias. Claro que não deu certo... mesmo eu publicando a dieta diária aqui no blog, como forma de me sentir vigiada...
De qualquer forma, realizei a apresentação. Não saiu nada, nada igual ao que eu havia ensaiado (sozinha). Mesmo que eu estivesse super magra e esbelta, o showzinho não valeria a pena.
Mas fiquei contente comigo, por vencer fobias, por deixar a literatura falar mais alto do que tudo.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
O QUE ANDO ESCREVENDO...
Já tenho comentado com alguns amigos sobre meu novo livro (que talvez esteja na metade ou próximo do fim, não sei). Nas vezes que converso - verbalmente - sobre esse livro sinto um estranhamento porque, ao tentar explicar aos meus amigos como ele está sendo escrito, percebo uma dificuldade (ou resistência) em introduzi-lo na Literatura. Posso afirmar, com certeza, que se trata de uma ficção. Posso dizer que, de alguma forma, se trata de uma narrativa fictícia onde há personagens, um protagonista, espaço, tempo... Mas ao mesmo tempo estou lidando com personagens, espaço e tempo contemplados por um outro "mundo", por um outro plano, onde há contagem cronológica, mas não há espaço geométrico e onde os personagens já não atuam na "história". São meros espectadores. Eles podem apenas comentar sobre a história assistida, mas não possuem o poder da ação e portanto não podem interferir no que já está dado. Além disso, esses personagens-espectadores, na sua grande maioria, não são identificados um pelo outro. Os comentários que emitem podem ser compartilhados por todos mas apenas enquanto palavra escrita. Não há rostos, não há vozes, não se percebe a emoção na fala porque não há palavra falada. Em resumo, o livro tem como tema geral a Internet...
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