romance em revisão:
"A consciência da rejeição não era coisa nova na vida do nosso artista. Contudo, por muito tempo a condição masculina o deixara confortável e confiante. Era talvez a sua única segurança: ser homem. Assim, Elídio desviara-se de várias formas dos efeitos da rejeição. O problema é que, em relação à condição feminina, escolhera ser um homem fraterno com ela e solidário com a política das igualdades. Essa escolha foi o que moveu sua relação com Amanda. No momento em que ainda digeria o fato de Amanda não corresponder à sua visão de mundo, como ele acreditava, Elídio também se desconhecia como homem. Desconhecia-se como homem, embora mantivesse clara a sua identidade própria. O artista era declaradamente o mesmo de antes; mas o homem surgia devagar, descobria-se muito lentamente à medida que percebia os enganos cometidos contra seu semelhante. Amanda não lhe saía dos sentidos um só instante desde que o abandonara. A dúvida e a inquietação ainda estavam presentes no coração de Elídio Patrezzi, como uma sentença, como um anjo julgador que exige uma resposta, uma explicação. O mistério contido no engano cometido em relação a Amanda poderia, quem sabe, revelar o mistério do homem Elídio. Eis o que o artista desejava: desvendar o mistério do homem Elídio, e com isso, reafirmar tudo aquilo em que realmente acreditava antes da realidade apresentada pela separação, antes de sumir a força para existir no mundo. Ele queria, enfim, voltar a sonhar com a justiça".
terça-feira, 22 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
O Congresso da UBE foi realizado

Estou reproduzindo aqui o artigo de Régis Martins para o Jornal A CIDADE, versão on line. A foto é de Matheus Urenha, do mesmo jornal
Congresso de escritores termina nesta terça-feira em Ribeirão
Palestras de Frei Betto e Affonso Romano de Sant’Anna tiveram público recorde na tarde desta segunda-feira
Público acompanha a palestra de Affonso Romano de Sant’Anna, no Congresso da UBE
Ao contrário da Fliporto (Feira Literária de Olinda), em que polêmicas políticas conseguiram desviar o foco da literatura, o 3º Congresso da União Brasileira dos Escritores, que termina nesta terça-feira (15) em Ribeirão Preto, correu na mais perfeita harmonia.
E o balanço parcial parece ser de otimismo quanto ao futuro do livro e da profissão de escritor no Brasil. Pelo menos é o que garante o escritor Menalton Braff, diretor de Integração Nacional da UBE. "Raramente Ribeirão Preto assistiu a discussões com esse nível como agora. Algo que foi muito além de nossas expectativas", diz.
Menalton não tem ainda o número de participantes do evento, mas afirma que todas as atividades que ocorreram nestes quatro dias tiveram um público muito bom.
Em palestras de ‘estrelas’ como Frei Betto e o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, ambas realizadas nesta segunda-feira (14), muitas pessoas ficaram de fora, tamanha a procura. "Affonso fez uma palestra sensacional, Falou sobre a leitura no mundo. Os vários tipos de analfabetismo e os vários tipos de leitores. Foi muito aplaudido", ressalta Menalton.
Para ele, a participação maciça de escritores de todo o país inscritos nas várias atividades do congresso comprova o interesse das pessoas em se atualizar e discutir temas oportunos sobre o ato de escrever. "A tônica do Congresso é acabar com o isolamento do escritor", afirma.
Núcleos
Não por acaso, Menalton coordenou nesta segunda-feira uma conferência que tratava da descentralização das atividades da UBE. Atualmente, explica o escritor, os núcleos da entidade espalhados por todo o país desenvolvem atividades literárias que podem ser divulgadas pela internet por meio de blogs. "Isso tem motivado para que os escritores sejam sujeitos culturais em suas cidades. Com isso, queremos que os acontecimentos de qualquer região tenha repercussão nacional", diz. Essa rede interligada vai de encontro com o tema do 3º Congresso: "A escrita é um ato isolado. Mas o escritor não precisa estar isolado".
Nesta terça-feira vai ser divulgada uma espécie de "Carta de Ribeirão Preto", que vai apontar os temas mais discutidos no evento e as reivindicações mais relevantes. "O congresso trouxe para Ribeirão, tudo o que ocorre no país em termos de literatura. Isso foi muito importante para a cidade", comenta.
Escritores de renome se reuniram na Uniseb/Coc desde o último sábado para debater temas como direito autoral, o relacionamento entre autores e editoras e o papel do governo no fomento da cultura. Entre os escritores presentes, além de Affonso Romano e Frei Betto, nomes como Betty Milan, Pedro Bandeira, Gabriel Chalita, Deonísio da Silva, Mouzar Benedito e Fernado Morais.
O último encontro foi realizado em São Paulo, em 1985. O professor Antonio Candido é o único remanescente dos dois primeiros eventos - o primeiro foi em 1945. "Eu participei do evento de 1985 e posso te dizer que o entusiasmo hoje é bem maior", garante Menalton.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
lançamento TANTAS PALAVRAS

Caros amigos,
Durante o Congresso da UBE (União Brasileira de Escritores), que acontece de 12 a 15 de novembro próximos, em Ribeirão Preto, haverá o lançamento da antologia de contos e crônicas TANTAS PALAVRAS, organizada pelo escritor Antonio Luceni. Estou participando dele com o conto "Cabine de Comando".
Segue aqui o convite para o lançamento enviado por Luceni
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
mais uma manhã de autógrafos no Clube de Regatas de Ribeirão

REGINA BAPTISTA NA BIBLIOTECA DO CLUBE DE REGATAS
Clube de Regatas 3 de novembro de 2011
A escritora Regina Baptista , realizará manhã de autógrafos de seu livro, “Ato Penitencial”, na Biblioteca do Clube de Regatas, no domingo, dia 20 de novembro de 2011, das 10 às 11 horas da manhã.
Sua presença será a 44ª de uma série, que o conselheiro e colaborador, escritor Antônio Carlos Tórtoro, tem levado ao Regatas, no 3º. domingo de cada mês, com o objetivo de incentivar a leitura e apresentar aos regateiros os escritores de Ribeirão Preto e região.
Regina Baptista nasceu em São Joaquim da Barra-SP, em 1968. Mora em Bonfim Paulista-SP desde 1977. Graduada em Ciências Sociais desde 1996, publicou o romance “Cárcere Privado”, em 2007 e uma coletânea de pequenas narrativas, “Mundo Suspenso”, em 2009. Participou com o conto “Beth e Fred” da antologia “Elo de Palavras”. Entre os títulos inéditos está o romance “Ato Penitencial” publicado em 2011. É associada à UBE – União Brasileira de Escritores.
Ato Penitencial.
Teve uma primeira versão escrita em poucos meses de 2006. Ao longo dos últimos cinco anos essa versão foi revista de vez em quando, mas só sofreu alterações bruscas no segundo semestre de 2010. A estrutura inicial, porém, é a mesma do princípio: o protagonista-narrador, Padre Fausto, é um líder religioso comunitário, que narra sua vida a partir de uma tragédia na infância e como as conseqüências dessa tragédia o levaram ao sacerdócio. Ao longo da narrativa Fausto revela que não suporta mais o peso da responsabilidade de conduzir a massa de fiéis, pois sabe que é movido mais pelas circunstâncias da vida do que pela fé. Diante desse reconhecimento o demônio Asmodeu se aproxima de Fausto para propor um negócio. Mas enfrenta resistência do padre, que alega não ter alma para vender.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
ESCOLA PARA QUEM PRECISA

Foi inaugurado na semana passada o Centro Cultural Palace, ligado à Secretaria Municipal de Cultura, com o prédio do antigo Hotel Palace totalmente restaurado.
E hoje estive lá para assistir à entrega dos prêmios do I Concurso Literário de Prosa e Poesia dos alunos da Escola Estadual Otoniel Mota. Além da apresentação dos estudantes vencedores houve uma apresentação musical coordenado pelo pianista Gustavo Molinari.
Pelo que tenho observado de longe, uma das pessoas que está por trás dessa ideia de levar os adolescentes para a literatura é a professora Heloisa Martins Alves. Eu já conhecia um pouco do empenho da professora quando, na Feira do Livro de RP do ano passado, assisti ao lançamento do livro "Combinando Palavras com Murilo Mendes", antologia escrita pelos alunos da escola Otoniel Mota. Na ocasião alguns poemas dos autores-estudantes foram lidos para a plateia, e eu fiquei fascinada com o poder das palavras, dos versos, da organização de ideia. Fiquei ali, parada, meio boba, achando que aqueles versos não deixavam nada a desejar para um poeta maduro.
Hoje à noite foi assim de novo. Os jovens conseguem fazer coisas que nos prendem a atenção. Por mais que muitos repitam que estimular a criatividade é bom para a segurança pública (porque "tira as crianças da rua"), eu gosto de ver que ainda existem pessoas que pensam diferente: não se trata de manter as crianças distraídas ou ocupadas, trata-se de auxiliá-las no caminho rumo ao inevitável: a vida adulta. E nesse auxílio a arte tem sim um papel muito mais complexo do que distrair... No contato com a arte o pensamento e o sentimento ganham forma, se formalizam, se estabelecem como plataforma para a visão de mundo e para projetos futuros.
Contrariando o pessimismo de toda uma sociedade, alguns educadores seguem em frente, passando por cima de todo tipo de carência e descaso. Simplesmente fazem o que é preciso.
na foto de Roberto Galhardo, a fachada do Palace.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Escola para quê?

Alguém sugeriu que a escola deveria ser extinta. Teve também alguém que sugeriu que a escola deveria mudar, romper com alguns padrões que já duram há anos, como a posição das carteiras enfileiradas. Alguém já propôs que os pedagogos com mentalidade do tempo da palmatória deveriam ser identificados e recusados no sistema de ensino. E que o mesmo deveria acontecer com os professores que devoram métodos de adestramento para ensinar, como se lidassem com animaizinhos prodígios. E outros ainda mais nervosos sonham com o tempo em que a Escola descerá do salto alto e dará o braço a torcer para a Televisão. (Estes mesmos entusiastas nervosos têm propostas nervosas também para o modelo de Televisão).
Mas no Brasil, qualquer fórmula para a Educação, gerada no laboratório da revolta, está condenada à gaveta. Se por um lado, esse arquivamento garante ao sistema um alívio (afinal, nada mais seguro para a ordem do que uma classe de alunos repetindo em coro qualquer coisa que a professora mande), por outro lado, esse arquivamento garante que a Escola se preserve na função para a qual ela vem sendo moldada pela democracia brasileira: sensibilizar eleitores em tempo de eleição.
A foto da postagem foi tirada da Web, por isso não tem o nome do fotógrafo.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Lançamento de ATO PENITENCIAL

Vem chegando o dia...
O Lançamento do ATO PENITENCIAL será no dia 21 de outubro (sexta-feira), às 20:00 hs, nos Estúdios Kaiser - Rua Mariana Junqueira, 33
Agradeço a gentileza dos Estúdios Kaiser, que nos cederá o espaço para o lançamento; ao Lau, da Editora Coruja, pela paciência com minhas mudanças constantes no texto (acho que nem Balzac fazia tanta alteração às vésperas da impressão). Também agradeço aos amigos e familiares que sempre me apoiaram e me acompanharam.
Agradeço muitíssimo desde já àqueles que vão comprar o livrinho e assim me ajudar a recuperar o investimento.
agradeço à vida por ter insistido em colocar a Literatura no meu caminho até eu enxergar que nasci para ela.
(Engraçado, isso parece discurso de primeira publicação e o ATO é a minha terceira... Sem desprezar o "Cárcere Privado" e o "Mundo Suspenso", admito que o "Ato" é a mais audaciosa até agora)
Segue uma sinopse do romance
SINOPSE: Um padre, Fausto, cansado de conduzir sua comunidade e vivendo a dúvida sobre sua vocação, decide relatar sua vida desde uma tragédia na infância até chegar ao sacerdócio. Intercalando com esse relato, Fausto faz reflexões sobre a sociedade atual, os desafios que ele enfrenta como padre e os fragmentos de lembranças do passado. À medida que Fausto se aprofunda nas suas limitações e fraquezas, o demônio Asmodeu se insinua para ele fazendo provocações e promessas de torná-lo um super-homem.
Ah, a respeito dos dados na capa... é para estimular a reflexão sobre o que move nossas escolhas e ações.
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